Arrumo lugares no meu coração, carrego você na alma, te falo silenciosamente  sobre as canções que não teve tempo de ouvir, os livros que não leu, as ruas que não viram seus pés, partilho a vida nessa comunhão silenciosa, te levando para os lugares onde vou, carregando você no coração,meu jeito de ajeitar a vida...

 (Teresa Gouvêa)

 
Sobre Filhos e Dor

Partiu cedo. A vida, estranha e deliciosa como ela só, não perguntou se estava na hora. Ele nem havia lido esses livros que falam sobre partidas “verdes”, dessas que parecem não ter amadurecido. Talvez tivesse tido tempo para compreender sua própria viagem. Tinha sonhos, como todos nós temos, mas os dele não estavam esquecidos, esperava a faculdade, esperava ter um filho com o seu amor, sim, estava naquela idade em que o amor escolhido parece pra sempre.

Deixou as gavetas desarrumadas, cheia de bilhetes, ingressos de shows. Deixou os calçados espalhados no quarto, pensou que voltava, que as bagagens não precisariam ser arrumadas, afinal, a morte parecia residir tão longe, nem sabia como localizá-la no mapa...

Contrariando todas as grandes miudezas que perfazem tão lindamente essa idade, deu um beijo na mãe e saiu, sorrindo, porque era assim que namorava a vida, sorrindo. Não retornou, não disse adeus.

A dor chegou, a dor explodiu na casa, no quarto, na varanda, Senhor, a dor era tão intensa que, em alguns momentos, não cabia nos livros, não cabia no coração. Quem ficou, procurou respostas, perguntou para os que estavam por perto, para os que estavam longe, sim, como se houvesse explicação para essa noite no seu dia, para dias tão frios com tanto sol, afinal, era cedo demais.

Era tanto sofrimento, que simbolizavam a própria dor, ainda assim a vida seguiu, apesar da dor, apesar do amor, apesar do vazio. Sentiam um descontentamento, daqueles que os olhos vazam as paredes, daqueles que a comida não tem sabor, daqueles que as pessoas falam, mas não há som.

O amor, intenso, delicadamente, pediu licença para se misturar à dor. No meio da dor lembraram-se dos sonhos esquecidos, no meio da dor lembraram-se do filho, do namoro que ele mantinha com a vida, sorrindo. Sentiram paz, apesar da dor. Sentiram alegria, apesar da dor. Sentiram tanto amor que agradeceram pela estadia, agradeceram a memória: da voz, do jeito de andar, das histórias vividas, das músicas que ele ouvia, dos tênis e roupas espalhados pela vida, dos amigos que haviam passado por ali, das fotografias. No meio da dor, lembraram-se do sorriso do filho.

Todas essas memórias viraram alimentos, Senhor, daqueles que enchem o coração e a alma. Alimentados com as lembranças mais doces desse filho, juntaram os sonhos esquecidos e pegaram uma carona com a vida...chorando, mas sorrindo....



06/11/2016 | 14:53 A dor chegou em 12/05/2014 quando perdi minha Anne,com 26 anos de idade. Câncer, meduloblastoma.É, foi para o hospital sorrindo, pois era assim que namorava a vida e não retornou , disse adeus no hospital com uma semana. Igual você fala ai. Este mês é dela, 30 anos (28/11).
11/10/2016 | 15:43 Elba Lucia Novello Com certeza, todas as mães que um dia tiveram que entrgar um filho , estas palavras são a expressão verdadeira do que sentimos.
10/06/2016 | 10:39 TECLA DE FÁTIMA ZARPELLON DE QUEIROS Conheci você hoje,através de uma amiga,Teresa, e fiquei impressionada como você toca lá, lá no fundo de nossa alma e coração, eu vivo hoje a vida como você falou...chorando, mas sorrindo, pois graças a Deus ainda tenho duas filhas maravilhosas que moram comigo. Com sete anos de casada perdemos a nossa Bianca, em um acidente, fomos a um passeio e ela já não voltou mais para casa com vida. Perda de filho é sofrimento eterno, eu e o meu marido pensávamos que íamos morrer de tanta tristeza e saudades. Ele e milhas filhas, foram responsáveis por minha volta a vida. E há pouco tempo perdemos o nosso Davi, (meu querido e amado esposo)depois de uma longa luta contra a uma leucemia.Saudades muitas. Que bom que tem pessoa como você, para aliviar um pouco a nossa tristeza. Muito obrigado seus textos nos confortam. Um abraço. Tecla Queirós
01/06/2016 | 10:48 Flavia Lucia É o que sinto desde que minha amada idolatrada filha se foi, as vezes sinto-me sufocada com tantas lágrimas que não cessam..mas continuo na esperança de reencontra-la.
28/05/2016 | 16:55 Luisa Acabo de viver isso...Meu filho Marco ,aos 26 anos,saiu super empolgado pra correr uma meia maratona no dia 22 de abril e nunca mais voltou...
27/04/2016 | 16:46 Rosangela Muito verdadeiro!
21/03/2016 | 21:36 gal moreira Muito profundo esses comentários pois fala tudo o que sinto desdeque meu filho partiu com 28 anos em 20/06/2010.
21/03/2016 | 21:21 Luiza Obrigada por dar voz a toda dor que sinto, que não cabe em mim desde que meu filho partiu. Apesar da dor e com ela estou tentando me recolocar neste mundo que ficou desconexo e sem cor. Continuar vivendo é um desafio diário, suas palavras e os depoimentos aqui relatados me fazem sentir que não estou só neste desafio do viver. Grata
11/03/2016 | 09:06 Vera Lúcia pereirara dias Simplesmente perfeitas e muito consoladorax. Um convite é um nove modo de viver e sentir as ausências definitivas.
20/02/2016 | 11:05 Raquel Quanto Amor e Sentimento em cada palavra!
12/01/2016 | 17:36 Cristiane Marques Camargo Amo todos os textos, reflete minha saudade que tenho do meu grande amor, Pietro. Cada texto, parece ler meus pensamentos. Parabéns a autora. Muita sensibilidade
11/08/2015 | 12:36 Nair Lindo! Parabéns à autora.
19/07/2015 | 07:55 Rosana Teixeira Você consegue expor com tanta clareza, os sentimentos que trazemos no fundo da alma, e que não damos conta de explicar.
28/06/2015 | 18:14 Madalena Gadiolli Seus artigos são simplesmente a minha alma também gritando em meio a tantos sentimentos que a minha vida agora se resume... saudade, meu sorriso ainda existe embora embargado de amor e saudade...
10/06/2015 | 22:57 Dalva Rodrigues meu Deus... exatamente assim, como viver sem eles, se pra nós e o ar que respiramos, o chão que pisamos!!Seus texto são como uma brisa calmante pra nossas almas gritante!!!!
04/06/2015 | 09:12 Gabriela Somos nós exatamente nós .. Sem a nossa Giovanna.
17/05/2015 | 13:23 alexandra Indo
10/05/2015 | 09:40 SILVIA É exatamente assim que me sinto,
26/04/2015 | 16:55 Edileia Todas as palavras descrevem esse momento em q fomos surpreendida c a despedida do meu amor da minha vida....meu Júnior. .
11/03/2015 | 22:15 Lidia Benitez Descreveu perfeitamente os meus sentimentos.E é o sorriso do meu filho que me faz continuar, através de uma fotografia, que olho todos os dias antes de começar mais um dia, uma longa jornada de 24 horas. Sim... "chorando, mas sorrindo...."
23/02/2015 | 23:23 Elizete antubes A dor é tanta, que palavras me faltam.
20/02/2015 | 21:53 Márcia Castro Amo seus textos, parece que esteve presente, em cada laço, em cada dor, em cada vida. Esse texto retrata a perda de uma pessoa muito amada e querida, Mateus. Uma semana após o casamento de seu irmão, ele se foi...um final de semana alegria, o outro...uma eterna dor. https://www.facebook.com/mateus.eletherio?fref=ts
25/11/2014 | 17:38 Almerinda Mota Chaves Ao ler o artigo vi um filme passar à minha frente. Tudo se mistura; dor, sofrimento,saudade, ausência,amor e também alegria por ter convivido e amado alguém tão especial. Um filho.

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