Arrumo lugares no meu coração, carrego você na alma, te falo silenciosamente  sobre as canções que não teve tempo de ouvir, os livros que não leu, as ruas que não viram seus pés, partilho a vida nessa comunhão silenciosa, te levando para os lugares onde vou, carregando você no coração,meu jeito de ajeitar a vida...

 (Teresa Gouvêa)

Navegue a Lágrima
 
 
Leticia Wierzchowski (Luto)
 
 

(Sinopse) Todo o romance nasce das trevas e segue um misterioso caminho no rumo de uma luz que, mais do que sabe, o autor pressente. Quero dizer com isso que nem sempre sei onde quero chegar quando colocamos em marcha um personagem e seu conflito – a aventura da viagem é que me faz escrever.

Em Navegue a lágrima, eu tinha duas personagens vivendo momentos difíceis da vida, mas caminhando no rumo da paz interior. Uma delas encontra esta paz justamente quando começa a escrever, escondida numa casa numa península uruguaia, após a morte do seu grande amor. E é nesta casa que ela, Heloísa, encontra (ou sonha? ou vive ficcionalmente?) a família Berman. Como num passe de mágica, como se houvesse uma intersecção no tempo, épocas diferentes parecem confluir, misturando-se nos dias, e Heloísa acompanha a história de Laura Berman, o marido, Leon, e os dois filhos – os antigos donos da casa onde ela está. E a história dos Berman é uma história de amor ancorada nos livros, porque Laura é escritora e Leon, o seu leitor fundamental.

Assim, Heloísa envereda pelas horas e pelas esquinas da vida desta família que ela nunca chegou realmente a encontrar, navegando na felicidade e no êxtase, nos momentos de dor e de incompreensão. Teria ela atravessado uma brecha do tempo, ou tudo não passa de uma narrativa ficcional que a própria Heloísa deixa escapar das suas páginas?

Quais os limites entre a ficção e a realidade, entre o passado e o presente, entre o amor e a dor? Ah, eu não sei… Nem quero responder a nenhuma dessas perguntas neste romance, eu quero é andar pela nascente, e seguir pela borbulhante corredeira de um amor, de dois amores, mergulhando nos seus incontáveis redemoinhos. Quero descer este rio de ficção, correndo pelas páginas da minha história, para onde ela me levar. Navegue a lágrima é sobre a ficção e os permeáveis limites que ela divide com a realidade, é sobre o amor e o fim do amor, e sobre as lágrimas que temos que navegar ao longo da vida. Afinal, como disse Fernando Pessoa, Navegar é preciso, viver não é preciso.

*Leticia Wierzchowski nasceu em Porto Alegre e estreou na literatura aos 26 anos. Já publicou 11 romances e novelas e uma antologia de crônicas, além de cinco livros infantis e infantojuvenis. É autora de Sal e de A casa das sete mulheres, história que inspirou a série homônima produzida pela Rede Globo e exibida em 30 países. 

 
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