Arrumo lugares no meu coração, carrego você na alma, te falo silenciosamente  sobre as canções que não teve tempo de ouvir, os livros que não leu, as ruas que não viram seus pés, partilho a vida nessa comunhão silenciosa, te levando para os lugares onde vou, carregando você no coração,meu jeito de ajeitar a vida...

 (Teresa Gouvêa)

Coração Desnudo
 
 
Edelcio Ottaviani (Finitude)
 
 

(Sinopse) Em época de mídias sociais, perder tempo elaborando, lendo e relendo cartas faz algum sentido?
Aparentemente, não, mas nas entrelinhas das cartas reunidas nesta obra irrompe um espaço em prol da singularidade humana ao tocar em situações corriqueiras próprias de um ambiente caracteristicamente sem graça, o familiar. É tal proximidade que cativa o leitor. Da intensidade da dor diante da morte iminente do pai e da real percepção da finitude da vida, o autor extrai a primeira carta. Outras vieram solapando convenções próprias à "família padrão".
Em hora de suprema solidão, o autor se permite um novo olhar, prenhe de vida, sobre relações já viciadas do reduto familiar e cria mais potentes relações baseadas nem tanto nos laços sanguíneos, mas em vínculos de amizade.
Em uma efetiva escrita de si, o autor se reconstrói ao procurar resgatar e entender lembranças que o tempo insistia em manter da pior maneira.

É a partir de pontos de intersecção tão densos - a morte, as diferenças de ideias, a vontade de fazer-se diferente num ambiente de similitudes - que o leitor deve se identificar neste livro terno, tocante. Nele, o autor desnudou o coração para corajosamente dizer muito aos que tanto lhe significam.
Esta obra é um convite a que façamos o mesmo, mas antes, muito antes mesmo de espreitarmos a morte - a morte definitiva de relações tão próximas e, não raro, já tão distantes do nosso coração.
Sem sujeitar-se à mera imitação das cenas, ações ou circunstâncias, o ilustrador Sergio Ricciuto Conte identificou no espelho do autor a protagonista do livro - a busca incessante de si - e extraiu dela imagens vocativas, interrogativas, inusitadas, que enriquecem os sonhos, devaneios, conflitos e angústias próprias de quem não tem receio de descobrir como está se constituindo.
"Busquei algo que conseguisse captar a luz emotiva das relações, que pudesse dar a mesma sensação da intensidade do texto. Meus traços procuraram seguir o percurso da caneta de Edelcio, e as imagens são um pouco do que ele deseja ser a cada instante", resume Conte. 

 
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