Colo vazio, coração cheio de Amor e Vida…

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(Autoria: Daniela Müller)

A Daniela é mãe de anjo, a Daniela é mãe, ela não falhou, depois de uma “dor dilacerante  e mortal, acompanhada de culpa, medo, raiva, impotência, vergonha”, ela encontrou a gratidão e esse amor imenso! Escreveu um livro, lindo, como forma de “ajudar outras Mulheres a acolher, ressignificar e incluir a Maternidade vivida desta forma particular, de colo vazio, mas de coração cheio, sem minimizar a dor que cada uma possa legitimamente sentir. Toda essa travessia trouxe para ela a compreensão de que “Mãe, é aquela que ama, independente do tempo, do espaço e da presença física. Assim como o Amor, toda Mãe é para sempre.”

“Quando descobri que estava grávida, em maio de 2020, senti uma imensa alegria. Meu marido e eu nos abraçamos longamente e choramos juntos de felicidade pela bênção de sermos pais.

No entanto, alguns dias depois aconteceu algo inesperado, um abortamento natural. No primeiro momento, um buraco se abriu sob os meus pés. Senti uma dor dilacerante, mortal. Um misto de culpa, medo, raiva, impotência, vergonha, desamparo.

Foram algumas horas em posição fetal, num profundo sofrimento, algo tão grande que eu sabia que não era somente meu. A ferida aberta era de todas as Mulheres da minha linhagem, de todas as Mães que sofreram com a perda de suas crias.

O tempo passou, as emoções se acalmaram e aos poucos foi se abrindo um espaço novo dentro de mim, no qual um fenômeno difícil de explicar começou a ocorrer. Era como se minha mente e meu coração começassem um diálogo do qual eu me tornei “a testemunha”.

A parte mental, impregnada de conteúdo antigo e continuamente replicado, como um disco de vinil arranhado, falava de perda, falta, morte e fim, o que, obviamente, me fazia sofrer.

Já o outro lado, leve e amorosamente, respondia: “veja bem, e se mudarmos o ponto de vista? E se enxergarmos somente a Vida? A Vida que se manifestou e seguiu seu curso, independente do que se esperava?”.

Aquela voz tranquila foi crescendo no meu interior e meu corpo respondendo com uma sensação de alívio e paz. A mente, impotente, se calou e o coração, sem esforço, continuou a mostrar uma verdade que me libertaria do drama.

O que ele revelou é que, diferente do que estamos condicionados a pensar por conta da nossa falta de compreensão de quem realmente somos, é que não houve nenhum aborto, no sentido literal da palavra, porque a Vida não pode ser abortada, interrompida.

Eu não falhei. Eu não perdi os bebês (eram um casal), nada nos foi negado ou tirado. Apenas ganhei a oportunidade de ser Mãe, um portal através do qual o Amor se manifestou, da maneira e por quanto tempo foi necessário e perfeito para a realização das almas ligadas ao óvulo fecundado, à minha alma e a do meu marido e de toda a nossa família.

Estes seres, que chamamos de bebês, não nasceram de mim e tampouco morreram. São filhos da Criação, Deus Mãe e Pai, e continuarão sua jornada evolutiva na Eternidade, vivendo as experiências que precisarem, de acordo com seu livre arbítrio.

Ao contrário do que normalmente achamos, nós demos à luz, sim, não a corpos físicos, mas a uma nova versão, mais atualizada e íntegra de nós mesmos: Mãe, Pai e Filhos.

Olhar desta nova maneira para o que aconteceu mudou tudo dentro de mim, foi a minha cura. Em vez da dor que inicialmente me tomou, comecei a sentir gratidão e alegria pela oportunidade que tive e por quem me tornei.

É dito que a Maternidade é um processo iniciático e que os filhos são os maiores mestres dos pais. Para mim, é a mais pura realidade. Hoje entendo que a morte que eu senti não foi a dos bebês, mas de uma parte minha, nossa, de todas as Mulheres, que precisava de uma profunda transformação.

Como a escrita é um recurso de síntese muito potente para mim, durante duas tardes sentei-me ao computador e comecei a digitar o que se tornou o livro “Mãe de Anjo: um novo olhar sobre o aborto espontâneo e a Maternidade”.

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Minha intenção ao compartilhar a minha experiência única neste livro é que ele possa ajudar outras Mulheres a acolher, ressignificar e incluir a Maternidade vivida desta forma particular, de colo vazio, mas de coração cheio, sem minimizar a dor que cada uma possa legitimamente sentir.

Que cada uma, da sua maneira, em seu próprio tempo, possa transformar seu sofrimento em força e paz para seguir adiante à serviço da Vida.

Com imenso Amor por todas as Mães, assim eu falei.

Escrever o livro foi a melhor maneira que encontrei de elaborar internamente a experiência que vivi com o chamado aborto espontâneo precoce, entre maio e junho de 2020. Antes disso, nunca havia parado para pensar sobre o assunto, pois aquela foi a minha primeira gravidez.

Quando tive o sangramento que denunciou o que estava acontecendo em meu ventre, um buraco se abriu sob os meus pés e eu caí naquele espaço fundo, cheio de impotência, tristeza, raiva, frustração, culpa, vergonha e desamparo.

Passado o primeiro momento de dor, veio a fase do entendimento. Com a ajuda dos meus amigos do plano espiritual, durante alguns dias tive a oportunidade de desenvolver um outro olhar sobre aquele episódio inesperado.

A nova maneira de enxergar este tipo especial e socialmente não reconhecido de Maternidade mudou tudo dentro de mim, foi a minha cura.

Por isso, decidi registrar e compartilhar esta experiência com a intenção de que outras Mulheres possam ter a oportunidade de ressignificar o abortamento natural, transformando seu sofrimento em paz.

Mesmo que neste momento seus colos estejam vazios, espero que seus corações estejam sempre cheios de Amor e Vida.
Daniela, Mãe da Maria Clara e do João Augusto.”

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