Como mãe, a carrego no coração dia e noite…

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(Autoria: Luzia Rodrigues, mãe eterna da Fernanda)

A Fernanda deixa uma mãe, a Fernanda deixa um filho, na dor dos dias que seguem, a família se junta – mãe, marido, irmã e primo – arrumam um caminho para a saudade, um lugar para a  permanência da Fernanda, ela continua no Instituto e no “amor que não morre, no amor que transmuta realidade, tempo e espaço”, ela continua, ajudando outras pessoas através da própria história, ela continua através do filho. O livro da Fernanda também nasce dessa dor, ali, ela relata os dias e dias, os sonhos, os medos, a vontade de ficar, a despedida sem escolha, o amor, ah, o amor. A dor precisa de espaços, a dor precisa de caminhos, a dor precisa de cuidados, no Instituto, no livro e no amor que fica, a força dessas pessoas lindas para continuar sem ela…
“Fernanda, minha filha primogênita, minha princesa como sempre a chamei, teve uma linda existência, como ela mesma escreveu “Que existência, Fernanda. Que puta existência linda! Frase publicado em um texto no Instagram no seu último mês de vida.
Ainda é muito difícil acreditar que uma mulher tão jovem, tão encantada pela vida, cheia de fé e coragem partiu aos 31 anos de idade, deixando um filho de 3 anos e meio, o marido, pais, irmãos, amigos…poderia ser apenas um sonho ruim, mas é a realidade. Como mãe, há nove meses estou vivendo o luto e procurando forças para prosseguir sem ela. É muito difícil descrever essa fase – passo o dia todo pensando nela, recordando momentos, tentando me convencer de que está tudo bem, que há um propósito maior por trás de tudo. Durmo pensando nela…acordo várias vezes a noite…levanto pensando nela e assim os dias vão se seguindo. Alguns dias mais fáceis, onde a gratidão por tudo o que vivemos predomina e outros mais difíceis, onde a saudade e o desejo de voltar no tempo, fazem brotar as lágrimas e acessar a dor que ainda é muito profunda.
Fernanda sempre foi muito dinâmica, sonhadora, determinada. Nascida no Paraná, saiu de casa aos 17 anos para fazer faculdade em São Paulo e acabou concluindo o curso em Portugal anos mais tarde, depois de ter viajado pela Europa. Em 2018, morando em Londres com o marido e o filho de 2 anos, foi diagnosticada com Linfoma Não-Hodgkin já no estágio 4. Foi um grande choque, eu viajei para Londres na semana seguinte ao diagnóstico para acompanhar o tratamento, pois devido a gravidade ela ficou hospitalizada nos primeiros meses de tratamento.
Fernanda surpreendeu a todos pela forma com a qual enfrentou o tratamento. Ao final de 4 meses de quimioterapia, ouviu do médico que estava em remissão. Infelizmente um mês depois teve uma recidiva. Passou por um transplante de medula óssea em fevereiro de 2019 e em julho, ainda num processo delicado de recuperação do transplante, teve nova recidiva.
Apaixonada pela escrita desde a infância, usou essa ferramenta como aliada na luta para vencer a dor e a ameaça da morte. Publicava crônicas no Instagram como forma de desabafo. De forma corajosa e poética falava sobre amor, fé, coragem. Falava de suas motivações, em especial o desejo que tinha como mãe, ver seu filho crescer. Com isso envolveu muitas pessoas numa grande corrente de amor e oração, que além de ajudá-la em todo o processo, também contribuiu para os leitores enfrentarem suas próprias batalhas. Muito sensibilizada com tudo que estava vivenciando, Fernanda resolveu publicar um livro com as crônicas já publicadas e outros textos, relatando seu aprendizado como forma de auxiliar outras pessoas que também passam por experiências semelhantes. Em setembro, com o agravamento do estado de saúde, resolveu que não dava para adiar…organizou os textos e entrou em contato com profissionais para diagramação e ilustração, dando assim os primeiros passos para a publicação do livro. Infelizmente, faleceu duas semanas depois, no dia 03 de outubro de 2019.
Com o objetivo de manter viva a memória da nossa amada Fernanda, já em outubro, retomei os contatos que ela havia feito para a publicação do livro. Em fevereiro desse ano fechamos o contrato com a editora e no dia 16/06 – data de seu aniversário de nascimento, publicamos o livro “Um anjo sussurrou no meu ouvido: cartas ao amanhã” pela editora Matrescência.
Ainda como forma de ressignificar tudo o que vivemos com a Fer e sua ausência física, decidimos (eu, o marido da Fer, a irmã e o primo) criar o Instituto Fernanda Gaigher. Estamos, desde novembro de 2019, planejando e estruturando a atuação do Instituto, que também teve o início de suas atividades formais no mês de junho. A atuação do instituto tem dois eixos principais: o atendimento com terapias integrativas e projetos sociais voltados para pessoas com câncer e familiares (www.institutofernandagaigher.com.br).
É dessa forma que tenho enfrentado o luto ao lado da minha família. Como mãe, carrego a Fernanda no coração dia e noite – falo com ela nos meus pensamentos, na certeza que ela está comigo o tempo todo. Tenho meus momentos de tristeza…acolho esse sentimento, choro e depois me reabasteço de energia por meio da oração e meditação. Tenho convicção que a Fernanda cumpriu seu propósito de vida e Deus confirma isso o tempo todo por meio das inúmeras mensagens que recebo, tanto de pessoas conhecidas, como desconhecidas, que ao terem acesso à história da Fer e agora aos seus textos publicados no livro, relatam o quanto se sentiram impactados positivamente com a mensagem de amor e fé que ela transmite. Entendo que eu e minha família temos a missão de levar esse amor adiante e é isso que nos motiva a prosseguir, vivendo um dia de cada vez, na certeza do reencontro.
A dor da separação nunca será maior do que o amor que nos uniu e marcou nossa relação…amor não morre, amor transmuta realidade, tempo e espaço…amor reinventa formas de conexão e continua pulsando no coração!”
Luzia Rodrigues – Mãe de Fernanda Gaigher

Informações adicionais
Site do Instituto: www.institutofernandagaigher.com.br
Instagram: @institutofernandagaigher  / @fegaigher

link para o livro https://www.institutofernandagaigher.com.br/produto/livro-um-anjo-sussurrou-no-meu-ouvido/

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