Das perdas que a gente tem pela vida…

949

Graça amava Marco, Marco amava Graça, eram imensos diante do amor, porém, pequenos diante “da morte que exige espaço e, sem pudor, rouba a alegria, a esperança e a fé. Parece até que para sempre…”. Viveram o amor, cotidiano, sem cansaço, como se ali residissem as pausas da vida, flores no quintal, passarinhos no amanhecer, café na chaleira, esse amor que pede pouco porque é muito.
Marco se foi, autorizado pelo ciclo da vida, que dispensa nossas permissões e Graça esqueceu das estações, do sol e da lua, coração batendo lento por muito, muito tempo. Fez as pazes com as despedidas, despertou de um jeito diferente e percebeu que “o mundo já não era mais o mesmo”, sem Marco não poderia ser mas, era o seu mundo…

427225_10200549241881998_812917695_n

“A vida é mesmo um infinito de emoções… Um dia a felicidade é imensa, tão grande que até parece eterna e imutável. Mais um dia, e uma dor terrível se apresenta, bem na sequência da alegria, varrendo a memória de ontem prá longe. Ou então é o contrário: a dor, tão intensa que rasga o corpo em pedaços, e depois a alegria que apaga o sofrimento, tão bem apagado que quase desaparece da alma. Assim é quando a mulher tem o filho que esperou pacientemente por meses a fio de construção de ossos, sangue, músculos e alma. A entrada na vida é assim: dor e alegria encadeadas, unidas como gêmeas.

A morte inverte a ordem dos sentimentos: a gente ama, é feliz pelo tempo que a vida nos concede essa pausa, jura que é eterno, acredita que pode prender no peito o ser amado. E por algum tempo a ilusão se mantém acesa, e até parece verdadeira. Até que um dia, num só golpe, a natureza pede de volta o tempo que nos deu. A morte exige espaço e, sem pudor, nos rouba a alegria, a esperança e a fé. Parece até que prá sempre…
O escuro nos envolve, o gelo cobre a alma, o coração bate tão lento que mal sustenta a vida. Uma caverna abafada recolhe os nossos gritos, e ecoa o terror da solidão que se instalou na alma. Nem a luz do sol, nem o branco calor da lua nos alcançam, e por muito, muito tempo. Um dia, enfim, um clarão difuso nos acorda.
É a luz vida que se impõe outra vez, no ciclo eterno da vida e da morte. E como uma fênix renascemos do limbo e do fogo da morte que nos destruiu e devagar, bem devagar, reaprendemos sobre a felicidade. O mundo já não é o mesmo e nem jamais será como já foi antes. Mas será o mundo novo que construímos com sangue e dor, e será nosso…”

(Autoria: Dra. Graça Mota Figueiredo)
(Conexão Itajubá 158 – 11.03.18)
http://www.conexaoitajuba.com.br

Sem comentários

Deixe um comentário