“Filha, vivo a dor, o amor e continuo te honrando”

272

image3

“Nossa doce Sarah, nasceu com Onfalocele gigante (CIA),assim que nasceu só tive a oportunidade de cheirá-la e logo ela foi para a Uti neonatal.”

“Meu nome é Fernanda, tenho 47 anos, sou mãe de três lindos presentes de Deus, meus filhos. Sempre tive um sonho de ter uma menina que se chamaria Sarah (a princesa do Senhor). Fui mãe pela primeira vez aos 38 anos, um menino lindo, Nícolas, hoje com nove anos. Dois anos depois fui presenteada com meu doce sonho real, em 26/08/2019 veio ao mundo a princesa mais desejada, mais forte e especial, nossa doce Sarah, nasceu com Onfalocele gigante (CIA),assim que nasceu não a peguei no colo, só tive a oportunidade de cheirá-la e dizer estamos juntas nessa meu amor e logo ela foi para a Uti neonatal.

image8

“Ela tinha uma cardiopatia simples e que fecharia até os dois anos, mas caso não acontecesse faríamos um cateterismo para colocar uma prótese e, assim, teria uma vida normal.”

Foram 37 dias de Uti, 7 cirurgias, 1 sepse, 1 pneumonia, várias infecções e vencemos. Fomos informados ela tinha uma cardiopatia simples e que fecharia até os dois anos, mas caso não acontecesse faríamos um cateterismo para colocar uma prótese e, assim, teria uma vida normal.

Durante os dois anos de vida Sarah teve algumas pneumonias, duas internações, bronquiolite e o buraquinho da CIA não fechava. Ela se desenvolveu, cresceu, uma criança linda, forte e inteligentíssima.

Tão amada, tão apaixonante, engraçada, bagunceira, amava dançar e imitar o irmão. Era mimada pelo papai que tinha tanto cuidado e medo dela quebrar, mas frágil ela nunca foi. Foi a pessoinha mais forte que já conheci, delicada e cheia de vida, sem nenhuma sequela da UTI, das intercorrências e da Onfalocele. Era perfeita e com a cicatriz da maior vitória que tínhamos vivido!

image14-1

“Durante o procedimento, o médico saiu correndo da sala e nos chamou, entrei quase colocando meu coração pela boca…”

Ao completar dois anos os pulmões estavam começando a ficar encharcados porque o fluxo sanguíneo do coração estava muito forte, porém, ela não mostrava nada e nem tinha nenhuma repercussão aparente. Decidimos fazer o cateterismo e colocar a prótese, tudo pronto, melhor médico e hospital.

Durante o procedimento, o médico saiu correndo da sala e nos chamou, entrei quase colocando meu coração pela boca e ele nos mostrou que não tinha bordas para acoplar a prótese no coraçãozinho dela, foi um choque, uma tristeza, uma insegurança imensa.

image26

“O medo veio, nem sempre é falta de fé, mas a certeza que sempre a vontade de Deus prevalece mesmo quando a nossa é diferente.”

Voltamos para casa devastados, nos restava somente uma cirurgia de peito aberto para corrigir. Ali meu mundo desabou. O medo veio, nem sempre é falta de fé, mas a certeza que sempre a vontade de Deus prevalece mesmo quando a nossa é diferente, afinal, somos humanos e falhos, acostumados a sermos mimados o tempo todo por Deus nos atendendo e respondendo nossas orações.

Eu senti que seriam nossos últimos dias e nas duas semanas seguintes Deus me disse em sonho por vários e vários dias, “o Senhor me deu, o Senhor recolheu, louvado seja Deus”. Nessa semana que antecedeu a cirurgia eu me fechei, me calei e comecei a orar sem parar, clamando a Deus para serem apenas pesadelos.

image21

“Um cenário perfeito, quase dando a hora de irmos para quarto, meu docinho acordou, me pediu água, só ouvi os apitos e tudo parou de uma vez, zerou a máquina.”

No dia 15/09/21 foi realizada a cirurgia, que ocorreu sem nenhuma intercorrência, voltou sem choque e foi direto para a UTI cirúrgica, extubada, um sucesso absoluto, permaneceria dois dias e depois iria para o quarto e para casa, uma vida toda pela frente, mas os planos de Deus não eram como os nossos e não sabemos muitos dos porquês.

Decorridas setenta horas do pós-operatório, um cenário perfeito, quase dando a hora de irmos para quarto, eu, num cochilo que dei as 5:00, meu docinho acordou, me pediu água, quando disse que iria buscar só ouvi os apitos e tudo parou de uma vez, zerou a máquina.

image19

“Ajoelhei em frente ao quarto e clamei a Deus por um milagre e, assim, permaneci por uma hora, quase em transe, só ouvindo os comentários exaustos de insucessos.”

Dia 17/09/21, o dia mais terrível da minha vida, um dia que eu gostaria que fosse apagado da minha memória, um dia que tive que entregar minha filha para Deus e voltar sozinha.

Foi como se minha filha tivesse sido desligada da tomada, os aparelhos, que estavam excelentes, zeraram em menos de segundos, desesperada gritei por socorro, gritei por ajuda, liguei para meu marido correr para o hospital (ele estava em casa com Nicolas), ajoelhei em frente ao quarto e clamei a Deus por um milagre e, assim, permaneci por uma hora, quase em transe, só ouvindo os comentários exaustos de insucessos.

image25-1

“Um desespero imenso, sentindo uma impotência como mãe, pois havia prometido sempre estar com ela e eu estava ali, ajoelhada, impotente…”

Um desespero imenso, sentindo uma impotência como mãe, pois havia prometido sempre estar com ela e eu estava ali, ajoelhada, impotente, entregue aos planos de Deus. Minha filha tinha sido chamada de volta para a casa do Pai.

Ela teve uma embolia súbita. Os últimos cinco minutos que pedi ao médico eu clamei ainda com o restante de força que tinha para que Ele a ressuscitasse, mas o médico voltou e eu entendi. Deus sempre nos dá milhares de SIM, mas o NÃO dele me doeu demais.

image23

“Nicolas brigou com papai do céu, gritou pela irmã nas janelas, uma dor terrível invadiu nossa casa e nosso coração.”

Não compreendi, porém, tive que aceitar, afinal não tive outra escolha, não me revoltei com Ele, porque sempre soube que antes de ser minha ela era Dele. Naquele momento só queria pegar meu doce anjo no colo, sentir seu cheiro e falar o quanto eu admirava a sua força, ajudei a tirar os aparelhos e ali ficamos juntinhas enquanto seu corpinho esfriava. Levantei para ir ao banheiro e desmaiei, quando a vi pela última vez naquele dia ela já estava embrulhadinha em panos brancos.

Me levaram para casa pois eu tinha que contar ao Nicolas que sua irmã havia virado um anjo e que não voltaria mais para nossa casa e que o papai do céu precisou urgente da doçura dela lá no céu. Ele não recebeu a notícia bem, conforme já esperávamos, ele brigou com papai do céu, gritou pela irmã nas janelas, uma dor terrível invadiu nossa casa e nosso coração.

image20

“Fui mãe pela terceira vez com quase 45 anos. Hoje tenho Nicolas, Sara, meu doce anjo e o Alexandre”

Fiquei um ano em choque profundo e meu filho, com quatro anos, ficou da mesma forma, pedindo a irmã de volta, mesmo sem forças tentamos dar uma irmãzinha a ele através de FIV, tive apenas quatro embriões bons que foram para avaliação genética e voltaram fragmentados, não sendo possível o implante, mais uma decepção, mais um NÃO.

eaa45f63-a9d0-43ce-aaf7-935503f7803f

“Fomos mais uma vez surpreendidos por Deus e ele nos mandou nosso Alexandre, que significa aquele que cura.”

Eu já estava no climatério, com reserva muito baixa de óvulos, mesmo com tantos estímulos, contudo não tínhamos o poder de nada, fomos então tentar naturalmente, de acordo com as orientações médicas e, no mês seguinte, veio o tão esperado positivo. Fomos mais uma vez surpreendidos por Deus e ele nos mandou nosso Alexandre, que significa aquele que cura. Fui mãe pela terceira vez com quase 45 anos. Hoje tenho Nicolas com nove anos, Sara, meu doce anjo que estaria fazendo sete e o Alexandre, com três anos.

7df3a3b6-6535-45b7-9a16-2eb03728e86c

“Vivo a dor, o amor e continuo honrando a vida tão especial da minha filha. Escrevi dois livros.”

Vivo a dor, o amor e continuo honrando a vida tão especial da minha filha. Escrevi dois livros. O primeiro sobre como foi a gestação e todo o processo da Uti e levo ele sempre em forma de doação às mães que ali se encontram, cujo título é “Vencendo os obstáculos, rompendo em fé!” Levo amor e esperança através dele, com muita fé que a luz do final do túnel existe e ela é real!

Escrevi também um livro sobre o luto, resiliência, empatia, inclusão e amor para que Nicolas entendesse melhor tudo que estávamos vivendo, chamado: “Os leões e a borboleta.” Um livro leve, porém, forte, com uma mensagem que emociona crianças e adultos.

image27-1

“Uma dor, que com o tempo, fica invisível para a maioria, mas amputados por dentro, muitas vezes silenciados e em outras abafados.”

Hoje, já são quase cinco anos que vivemos a maior dor do mundo, uma dor que dói na alma, nos ossos. Uma dor, que com o tempo, fica invisível para a maioria, amputados por dentro, muitas vezes silenciados e em outras abafados, mas ali no cantinho do peito, onde sangra um gotejar diário, sentimos a existência viva do nosso docinho.

Um filho nunca morre para uma mãe enquanto ela viver, só passa para o outro lado, volta para a casa do Pai e, aqui neste plano, seguimos, amando, a um céu de distância, nossa borboleta do voo mais alto que o céu!

image17-1

“A dor é grande, não some, apenas aprendemos a conviver melhor com ela, afinal, dói saber que tudo que sonhamos jamais passará de sonhos.”

A dor é grande, não some, apenas aprendemos a conviver melhor com ela, afinal, dói saber que tudo que sonhamos jamais passará de sonhos planejados e não realizados, mas sou grata a Deus por ter meus lindos meninos comigo, me dando força para continuar e manter viva nossa pequena gigante!

Te amamos até o dia do nosso reencontro, meu doce anjo Sarah!”
Com amor: mamãe, papai, Nicolas e Ale

(Autoria: Fernanda Barbosa)
@fernandabarbosabh
@lacoselutos_

Contato para adquirir os livros: @fernandabarbosabh

Sem comentários

Deixe um comentário