A Fernanda, mãe do Luca Emmanuel, traz um relato lindo sobre a despedida de seu filho, aos dois anos de idade. Em 05/06/22, seu filho partiu em decorrência de um afogamento na piscina. Ela fala do amor, do luto, da saudade e como ressignificou a continuidade desse amor.
“Luca Emmanuel, um menino que foi, e sempre será, o grande amor da minha vida, meu mundo nunca mais foi o mesmo.”
“Meu nome é Fernanda, sou mãe de quatro filhos. Luca Emmanuel, um menino que foi, e sempre será, o grande amor da minha vida, tinha apenas dois anos quando partiu, em 05/06/22 e, desde então, meu mundo nunca mais foi o mesmo.
O Luca era uma criança encantadora. Amoroso, doce, inteligente e saudável. Tinha um brilho nos olhos, um sorriso constante no rosto e uma alegria que contagiava todos ao seu redor. Era impossível não se apaixonar por ele. Viver com o Luca era como viver com o próprio sol dentro de casa: sempre iluminando tudo com sua luz, sua doçura e sua inocência.

“Foi uma semana intensa, cheia de vida e alegria. Hoje, olhando para trás, vejo que Deus estava nos preparando para a despedida.”
Em 02/22, realizamos um grande sonho: conseguimos financiar a nossa casa própria. Uma conquista muito especial, e, para completar esse momento de felicidade, instalamos uma piscina no quintal em abril daquele ano. Foram dias lindos, cheios de risadas, brincadeiras e momentos em família.
No dia 30/05, celebramos com muito amor o segundo aniversário do Luca. Fizemos uma festinha simples, mas cheia de carinho, minha irmã e minha sobrinha vieram de longe para participar. Foi uma semana intensa, cheia de vida e alegria. Hoje, olhando para trás, vejo que Deus estava nos preparando para a despedida.

“O luto tem sido um processo profundamente doloroso. Alguns dias eu consigo respirar, em outros eu apenas sobrevivo.”
No dia 05/06 minha vida desabou. Eu estava na cozinha preparando o almoço, vi o Luca indo em direção ao quintal. Naquele instante, meu celular tocou e acabei me distraindo. Quando me dei conta do silêncio e fui verificar, encontrei meu filho boiando na piscina. Ele tinha ido buscar um brinquedo. Aquela imagem jamais sairá da minha mente. É um tipo de dor que não tem nome. A dor de perder um filho é algo que dilacera, tira o chão e faz o tempo parar.
O luto tem sido um processo profundamente doloroso. Alguns dias eu consigo respirar, em outros eu apenas sobrevivo. É como andar com uma das pernas amputadas: mesmo sem conseguir caminhar como antes, a gente tenta seguir.

“Minha filha mais velha, Victoria, hoje com oito anos, presenciou tudo. Viu as manobras de reanimação, o desespero e, desde então, carrega marcas profundas.”
Minha filha mais velha, Victoria, hoje com oito anos, presenciou tudo. Viu as manobras de reanimação, o desespero e, desde então, carrega marcas profundas. Nós a colocamos em terapia para ajudar a lidar com esse trauma, mas ainda há muitas perguntas sem respostas em seu pequeno coração.
Minha sobrinha, que estava conosco naquele dia, hoje com quinze anos, também enfrenta crises de ansiedade. Minha mãe, meu pai e minha irmã carregam a ausência do Luca em silêncio e dor. Meu pai, inclusive, só conseguiu conhecer o neto em 2021, e hoje vejo como Deus, na sua bondade, permitiu que esse encontro acontecesse antes da despedida.

“Muitas vezes, casais se separam diante de uma perda tão grande, mas nós escolhemos lutar juntos.”
Houve dias em que pensei em desistir. Dias em que a dor era tão grande que pensei em tirar minha própria vida. Mas foi no fundo desse poço que senti Deus me sustentando. Ele começou a falar comigo, a me abraçar no silêncio e me conduzir a um lugar mais profundo de fé e intimidade com Ele.
O nosso casamento, também, passou por um grande teste. Muitas vezes, casais se separam diante de uma perda tão grande, mas nós escolhemos lutar juntos e foi nesse tempo de luto que descobri uma nova gravidez.

“A perda do nosso filho mudou profundamente o meu marido. Ele ficou mais aquebrantado diante de Deus, mais sensível às coisas espirituais.”
O meu esposo também tem enfrentado um sofrimento profundo. O Luca era o único filho homem e, para ele, a dor foi devastadora. Muitas vezes o encontro chorando sozinho, em silêncio, tentando lidar com uma culpa que insiste em invadir seu coração. Ele revive aquele dia com frequência, tentando entender, buscando respostas, carregando o peso de situações que estavam fora do nosso controle. Tenho tentado ser apoio, mostrar que a história do Luca já estava escrita por Deus, e que não somos capazes de mudar os planos do Senhor.
A perda do nosso filho mudou profundamente o meu marido. Ele ficou mais aquebrantado diante de Deus, mais sensível às coisas espirituais. Apesar de já ter enfrentado outros lutos difíceis ao longo da vida, nenhum se comparou à dor de perder um filho. Essa foi, sem dúvidas, a maior ferida.
“Três meses após a partida do Luca, engravidei. Não substituem o Luca – isso seria impossível, mas acalmaram, em parte, um coração devastado.”
Três meses após a partida do Luca, engravidei. Não foi fácil aceitar. Eu não queria outro filho – eu queria o meu Luca de volta, mas Deus, com sua infinita sabedoria, me disse que era hora do Thomas vir e, assim, descobrimos que viriam dois: Annalis e Thomas. Um casal de gêmeos. Thomas significa “gêmeo”, e ele veio com a mesma doçura e alegria do irmão. Não substituem o Luca – isso seria impossível, mas acalmaram, em parte, um coração devastado.
“Foi aí que conheci outras mães que, como eu, também perderam seus filhos dessa forma tão trágica.”
Deus não parou por aí, em meio ao luto, nasceu também um chamado. Depois da morte do Luca, nunca mais consegui entrar em uma piscina. A dor era tão grande que o simples ato de ver água me paralisava, mas fui sendo levada, pouco a pouco, a mergulhar mais fundo no tema do afogamento infantil. Foi aí que conheci outras mães que, como eu, também perderam seus filhos dessa forma tão trágica.

“Nesse processo de dor e busca, descobri um método que ensina crianças pequenas a se salvarem em caso de acidentes aquáticos.”
Nesse processo de dor e busca, descobri um método que ensina crianças pequenas a se salvarem em caso de acidentes aquáticos. Elas aprendem a boiar e a respirar ao mesmo tempo – uma habilidade que salva vidas. Quando conheci esse método, mesmo com o medo, soube que aquilo faria parte da minha cura. Compramos a franquia exclusiva para a Arábia Saudita e os profissionais da empresa vieram até mim para me treinar como treinadora.

“Entrei em uma piscina pela primeira vez depois de anos. Entre o medo, as lágrimas e a dor, pensei em desistir várias vezes.”
Foram os dez dias mais desafiadores da minha vida. Entrei em uma piscina pela primeira vez depois de anos. Entre o medo, as lágrimas e a dor, pensei em desistir várias vezes. Chegava em casa tremendo de frio, como se meu corpo estivesse revivendo tudo.
Ver as crianças entrando na água me fazia reviver o pior dia da minha vida, mas foi nesse lugar, dentro da água que tanto me feriu, que Deus me curou. Ele me levantou. Hoje, com o coração restaurado, entendo que o Luca não morreu em vão.

“Dessa dor nasceu um projeto. E esse projeto carrega o nome do meu filho.”
Dessa dor nasceu um projeto que carrega o nome do meu filho. Um legado de amor e de vida, agora, para que a morte do Luca tenha um sentido maior, me dedico a salvar outras crianças com esse método. Cada criança salva será, para mim, uma vitória em nome dele.
Luca nasceu em meio à pandemia, quando ainda morávamos em Dubai. Por conta das leis locais, precisei pegar o último voo para Londres para que ele pudesse nascer. Ele foi uma promessa de Deus desde o início. Pedi a Deus um menino de olhos verdes, e prometi que, se viesse, se chamaria Emanuel – que significa “Deus conosco”. E assim veio Luca Emmanuel, o menino dos meus olhos, o meu milagre.

“Um dia, sei que estarei com meu filho novamente, até lá, sigo com essa dor, mas também com a certeza de que o amor jamais morre.”
A saudade é uma companheira constante. Ela aperta o peito, dá nó na garganta e traz crises de ansiedade, mas ela também me aproxima da eternidade. Hoje, minha esperança está no reencontro. Um dia, sei que estarei com meu filho novamente, até lá, sigo com essa dor, mas também com a certeza de que o amor jamais morre.”
(Autoria: Fernanda Martins Lemes)
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