Filhote, te encontro no silêncio da noite e no coração…

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(Autoria: Joice Brenner, mãe eterna do Pedrinho)

O tempo, esquisito e inoportuno, invade os dias de uma mãe e solicita a despedida de um filho em quinze dias, o tempo, que rouba os abraços e o sorriso iluminado como um raio de sol, sequestra os planos futuros e a deixa sem respostas… será que o Pedrinho gostaria de games, teria os mesmos amigos ou jogaria futebol? Uma mãe sem essas respostas é um lugar de delicadezas e sagrado, tão sagrado que, nessa dor que nasce das profundezas, agradece a permanência com a certeza de que o traria para viver ao seu lado, mesmo que fosse nesse tempo… O que é ser normal após o luto? Talvez um dos atalhos seja deixar o Pedrinho por aqui, para sempre, no coração, na voz e no amor que não finda, lembrando dele como parte desses filhos que foram um lugar de força para seguir…

“O Pedrinho tinha seis anos de idade e partiu em 2014, vítima de uma leucemia, foi tudo muito confuso e rápido, tive o diagnóstico em trinta de maio e ele partiu em quatorze de junho, acho que passei por todas as fases desse processo maluco que se chama luto. Quis morrer com ele , quis fugir para um lugar que ninguém me conhecesse , implorei a Deus que ele voltasse , quase morei no cemitério, até que um dia, da porta do meu quarto ,vi os olhos de desespero da minha filha, Júlia, sozinha, largada, aí, eu pensei quem precisa de mim agora é ela, pelo Pedrinho só posso rezar e mandar vibrações , ele está protegido, está com Nossa Senhora.

Nos aniversários, em meio ao desejo de ouvir sua voz e te ver, me pegava pensando como você estaria, se teria passado de ano, se teria os mesmos amigos, se jogaria futebol ou seria louco por games, enfim, os “serás” não importam, ficaram para trás, não foram os aniversários que imaginei, porém, sou grata pelos seis anos que passei com você.
Tive outro filho também, o Antônio, está com 4 anos. Desde então tento ser normal, o normal pós luto, às vezes choro, mas, hoje, já penso nele como um lindo presente, que de tão especial eu devolvi, não era meu …
Ele sempre dormiu tão grudado comigo, eu brincava com ele dizendo que queria voltar para dentro da minha barriga, então, eu penso que ele voltou, mas não para a barriga, voltou para o meu coração.
Foi tudo breve, mas foi intenso, e se me pedissem para escolher, eu passaria por tudo de novo.
Filhote, nos separamos por um breve tempo, pois tínhamos projetos diferentes, logo estaremos juntos e poderemos dar os beijos atrasados, por enquanto, mantemos nossas conexões em meio ao silêncio da noite, orações e meditações. Receba meu carinho e minhas melhores vibrações.”
@joiceroberti

1 comentários

  1. Emocionada com o texto da mãe do Pedrinho.
    Perdi meus filhos gêmeos, um casal, Alana e Daniel, aos 25 anos
    Daniel em 7/12/2008 e a Alana em 27/02/2008
    Devastador.
    E o que posso dizer” a dor até passa, um dia chora, outro ri
    e seguimos, na expectativa do reencontro.
    Bjo mãezinha do Pedro.
    Luz Pedro.⭐

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