Mãe, como seria se estivesse aqui…

429

27973142_960934664070715_3377753746558216033_n

(Autoria: Sofia Gonçalves Dedini)

A Sofia se despediu de sua mãe, procurou por ela nos finais de tarde, nas conquistas, na vida que vai passando, procurou ajuda no amor que a rodeia e nas lembranças, na gratidão e no amor que será para sempre, o olhar das duas nos fala sobre esse amor que continua no corpo e no coração …
Há exatamente 18 anos mamãe partia, deixando saudades infinitas! Como desejei que esta fosse mais uma mentira, mas, infelizmente, não foi, e que verdade difícil de aceitar. Quanto tempo, quantas coisas aconteceram depois que ela se foi. Como gostaria que estivesse aqui para dividir com ela meu dia-a-dia, minhas alegrias e angústias, comemorar as minhas conquistas e dos meus filhos, falar das pessoas incríveis que encontrei pela vida, pessoas que ela adoraria conhecer. Foi tão cedo, não curtia a ideia de envelhecer. Ainda hoje me pego imaginando tudo o que não vivemos juntas e sinto saudades. Saudades do não vivido, isso existe! E como existe! Eu adoro tomar café na padaria nos finais de tarde e lá fico observando as coisas. Sempre vejo mães e filhas juntas. Confesso que bate uma inveja, é inevitável! Imagino como seria se estivesse com minha mãe, o que conversaríamos e como seria bom falar sobre essa fase da vida. Fico com meus diálogos internos: que delícia ter carinho de mãe, queria a minha aqui comigo, também penso como é bom lembrar dos seus gestos e do seu jeito carinhoso de ser. Eu sei o que é ter esse amor. Ainda consigo lembrar do seu jeito e da maneira carinhosa como falava comigo, de como me abraçava. Parece que ainda a ouço me dizendo: “você sabe que eu te amo né?” (sinto que ela sabia que tínhamos pouco tempo juntas).
As lembranças me confortam. Recordar isso tudo hoje não me dói mais (ou melhor, dói menos), talvez por isso tenha conseguido escrever, nunca havia tentado antes, talvez por mobilizar tantas coisas dentro de mim, confesso que não é fácil. Sinto que aprendi a olhar para tudo o que aconteceu de um jeito diferente. É claro que precisei da ajuda de pessoas muito queridas e iluminadas que encontrei nessa vida, graças a Deus! Ajudaram-me a narrar minha história de outra maneira, olhando para o que tive de bom, sem negar, é claro, a tristeza que é passar por isso tão cedo na vida. Isso me fez sentir muito melhor, uma pessoa melhor. Percebi que havia mais a agradecer do que a lamentar, percebi que foi muito bom o tempo que tivemos juntas e por isso sinto tanto sua falta. Será que um dia nos acostumamos sem nossos pais? A ideia de sermos órfãos realmente é ameaçadora, estar por nossa própria conta neste mundo! Ter amigos e uma família que amo tanto é o que me alegra e me motiva a continuar nesta vida, certa de que ela deixou frutos tão lindos, que tanto amo e que levam no olhar um pouco dela pelos lugares por onde passam. É isso! Ela está viva dentro de mim e daqueles que a amam. Seu amor está guardado aqui. E eu sei sim que me ama!

(Sofia, filha, para sempre)

Sem comentários

Deixe um comentário