“Mãe, fica a saudade com amor…”

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(Autoria: Carlos Abranches)
Abranches, querido, fala da mãe, que era rio e encontrou o mar, virou infinito, feito sereno que beija as plantas sem barulho, “a saudade com dor” oferece lugares para a “saudade com amor”, do machucado nasce a gratidão, a mãe fica, “na maternidade intensa e dedicada, nos laços de alegria e aprendizado”, no amor que transcende…

“Minha mãe tinha nome de rio. Meu avô decidiu chamá-la de Nila, em homenagem ao rio que passa por muitos países da África. Depois de 74 anos de vida, minha mãe foi levar suas águas fecundas para as terras do mais além. Partiu após 11 dias se preparando para a viagem, na UTI de um hospital em Juiz de Fora, MG. Quando nos organizamos para velar o corpo, meus cinco irmãos e meu pai decidimos espontaneamente nos conduzir com equilíbrio diante da situação. Nossa mãe amada merecia aquele comportamento sereno, ainda que estivéssemos tocados afetivamente pelo momento final de sua atual existência. Confesso que após o enterro do corpo dela, numa sexta, a tristeza tomou conta de minhas emoções. Passei o sábado com esse incômodo, até que no domingo, decidi retomar as rédeas de minha conduta emocional. Chamei minha mãe para o canto de nossa intimidade e lhe disse:

-Mãe, o que senti até agora não condiz com o que aprendi contigo durante toda a nossa convivência.

Portanto, a partir deste momento, estou trocando definitivamente a saudade com dor pela saudade com amor. No lugar do que estava me machucando, estou colocando o delicado perfume da gratidão. Te garanto que toda vez que lembrar de você, reforçarei nossos laços de alegria e aprendizado que sempre marcaram nossas vidas”.

E foi assim que, dois dias depois do enterro do corpo de minha mãe, fechei o luto da partida física dela de nossa convivência.

Isso ocorreu no dia 8 de dezembro de 2012. O dia em que minha mãe retornou ao trem da vida, na viagem de volta de uma longa experiência em torno da maternidade dedicada e intensa…”

Insta: @carlosabranchesoficial

 

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