Minha filha: o amor que fica e o baú da saudade…

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A data, 24/03/13. A idade, 16 anos. Maria Candida, a despedida. João Candido Portinari e Maria Edina, os pais. Um pai, uma filha, um amor imenso, tão imenso que acompanha o calendário, dia após dia, desde sua partida. João, acostumado com as profundidades do amor, explora o sol e a lua, o tempo e o espaço, cria um “Baú da Saudade”, para sua querida “Pinguinha”. Há os que acompanham as postagens e oferecem acolhimento… Os desacostumados com quaisquer formas de amor são contrários, entendem que um pai que fala “para sempre” em uma filha tem o poder de tirar sua paz, mas João ama tanto que insiste nesse amor, para sempre, afinal, “deixar de homenagear sua amada memória a cada dia/noite, postando suas amadas lembranças, seria isto este “deixá-la partir”?

273757431_10159544615349185_6530348739556356794_n“(…) o esquecimento é a derradeira morte dos mortos.” (Mia Couto)

“É relativamente comum esbarrarmos no antropocentrismo (ver abaixo), em especial escondido em teorias e afirmações que encaram fenômenos que envolvem outras entidades que não os seres humanos – como, por exemplo, os espíritos – como se estas entidades fossem de fato seres humanos, tentando inconscientemente imputar-lhes atitudes e reações que eles supostamente teriam se fossem seres humanos.

Como conhecemos tão pouco, realmente comprovado pela ciência, a respeito de suas reações, de seus poderes, de seus desejos, etc., e até mesmo de sua própria existência – desejamos ardentemente que existam!! como desejamos de forma mais ardente ainda que possamos reencontrar no além-vida (existirá?) nossos entes amados que já se foram… , somos tentados a imputar-lhes o nosso comportamento, as nossas reações, poderes e desejos de seres humanos, sem nos questionarmos se a generalização é válida…

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Penso que todos os que sofreram perdas devastadoras e que tentam sobrenadar a estes dilúvios da maneira que puderem, que encontrarem já se defrontaram muitas vezes com este tipo de “aconselhamento”

Isto explica muitas crenças, dogmas que tentam se impor como verdades absolutas, como a célebre “se você não a deixa partir, ela não poderá evoluir, e sofrerá com você aprisionando-a” e suas tantas variações.

Penso que todos os que sofreram perdas devastadoras e que tentam sobrenadar a estes dilúvios da maneira que puderem, que encontrarem – e esta maneira é sempre única e individual, assim como a forma de viver o luto – já se defrontaram muitas vezes com este tipo de “aconselhamento”, que tenta, frequentemente sob o manto da bondade e do desejo de ajudar, doutriná-los, impondo a visão do pretenso conselheiro sobre estas questões ainda tão pouco conhecidas, embora existam pesquisas idôneas que tentam desvendar o mistério que as envolve desde os primórdios da humanidade.

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“(…) a forma que eu encontrei para tentar transformar desespero, dor e saudade em amor, gratidão e esperança. (…) Deixar de homenagear sua amada memória a cada dia/noite, postando aqui suas amadas lembranças, seria isto este “deixá-la partir”?

Vocês, meus queridos amigos e amigas aqui do FB, e da vida, que me acompanham aqui com sua fraterna solidariedade há mais de oito anos e meio, conhecem a forma que eu encontrei para tentar transformar desespero, dor e saudade em amor, gratidão e esperança. Mas há alguns – muito poucos, felizmente! – que vem me criticar, afirmando peremptoriamente que meu comportamento prejudica a nossa Pinguinha querida, tolhendo-lhe a evolução espiritual, e que eu deveria “deixá-la partir”, para não prejudicar sua paz lá no Alto … Vocês saberiam me dizer o que devo fazer para “deixá-la partir”?

Se raciocinarmos de forma antropomórfica, parece óbvio esse “deixá-la partir”, não? Indo ao extremo deste raciocínio, quem sabe diríamos até que a estamos “segurando pela aba do paletó” — como se alma usasse paletó — impedindo-a de cumprir sua missão, suas tarefas no além-vida. Faz sentido isto? Deixar de homenagear sua amada memória a cada dia/noite, postando aqui suas amadas lembranças, seria isto este “deixá-la partir”?

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“Não estou no “sinal vermelho”, como querem alguns… Não estou aqui vertendo lágrimas, capazes de alagar o caminho de outrem…”

E no que tange a mim, esta homenagem que faço cotidianamente com tanto gosto, tanto carinho, tanto empenho, não me impede de viver, de contribuir para o bem do meu próximo, de amar, sonhar e realizar. Não estou no “sinal vermelho”, como querem alguns… Não estou aqui vertendo lágrimas, capazes de alagar o caminho de outrem…

Estou PRESENTE, como no poema de Drummond “De Mãos Dadas”, achei que vocês gostariam de reler (já o postei aqui algumas vezes):
Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes
A vida presente.
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Vejam o que o Google diz que é o Antropocentrismo:
Antropocentrismo é uma doutrina filosófica que coloca a figura do ser humano como o “centro do mundo”, relevando a importância da humanidade em comparação com as demais coisas que compõem o Universo.

Sob o ponto de vista do antropocentrismo, considerado uma “ciência do homem”, os seres humanos são responsáveis por todas as suas ações, sejam elas culturais, sociais, filosóficas ou históricas, por exemplo.

Assim, a visão antropocêntrica defende que o mundo, assim como todas as coisas que nele existem, é de benefício maior dos seres humanos. Essa doutrina cria uma independência humana da figura divina, que por muitos séculos foi predominante em quase todo o mundo.

O antropocentrismo surgiu na Europa, sendo o Heliocentrismo de Copérnico e o Humanismo dois dos seus principais marcos. De acordo com Nicolau Copérnico (1473 – 1543), a Terra girava ao redor do Sol e não ao contrário, como se pensava naquela época.
A teoria de Copérnico se opunha totalmente ao modelo geocêntrico que caracterizava o Teocentrismo, e que era defendido pela Igreja Católica naquele momento. Etimologicamente, a palavra antropocentrismo se originou a partir do grego anthropos, que significa “humano”, e kentron, que quer dizer “centro”.

(Autoria: João Candido Portinari)

OBS: citação de Mia Couto in “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, Cia. das Letras.

@joao_candido_portinari

2 Comentários

  1. Saudades é o amor que fica! Ele é eterno, indestrutível! É o que sustenta a ausência, a saudade!

  2. Saudade é o Amor que fica! É o que sustenta a ausência, a saudade!

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