“O desafio de seguir sem meus amores”

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(Autoria: Vânia Borges de Carvalho)

O natal, as férias, uma viagem e o mundo de Vânia muda completamente, suas pérolas no asfalto, a recuperação, a continuidade e a vida que pede um arco-íris dentro de si mesma…ressignificar através da fé no dia seguinte, na história que tiveram, na escrita de um livro e no amor que permanece!

“No dia 22 de dezembro de 2010, juntamente com o meu esposo e os nossos 4 filhos, seguíamos para Fortaleza para as Festas de Fim de Ano com os familiares do meu esposo.
Saímos do bairro Guará 2/ DF, às 8h da manhã.
Por volta das 10h30, no Trevo de Correntina, fomos surpreendidos por um carro que vinha em sentido contrário que, em alta velocidade, chocou na lateral do nosso. Os dois veículos entraram em combustão. No total de 9 pessoas nos dois automóveis, sou a única sobrevivente.
Nesta manhã, um céu maravilhoso e um sol radiante, devolvi Jarinho (46), o meu marido e, os nossos 4 filhos: Rayran 16 anos, Anna Beatriz 12, Pedro 9,e, Júlia Ádyla 5 anos. O meu esposo teve graves lesões nos órgãos internos, vindo a falecer no local e, as nossas filhas Beatriz e Júlia morreram carbonizadas); Pedro veio a óbito no hospital em Brasília, com traumatismo craniano, Rayran ficou internado por 15 dias e, não resistiu as graves queimaduras e, lesão em uma das vértebras.
Com queimaduras de segundo e terceiro graus em 70 % do meu corpo, fui submetida a vários enxertos e, muitas intervenções cirúrgicas. Resisti ao estado de coma e, infecções.
Tive alta no dia 11 de março. Fiquei um bom tempo em cadeira de rodas, em seguida, andador, bengala e, finalmente com as fisioterapias voltei a caminhar. Com o auxílio da terapia ocupacional retornei a algumas habilidades motoras. Era destra e, hoje, esforcei muito na prática das atividades com a mão esquerda.
Tenho, ainda, elaborado o meu luto com muita força interior, vontade de viver!!
Ah! Os meus filhos, Anna Beatriz, Júlia, Pedro e o meu esposo foram sepultados no dia 24 de dezembro. O mundo está em festa. Precisei, com muita gratidão a Deus pela família linda que Ele me presenteou em 20 anos de casados, implantar um arco-íris dentro de mim!
No dia do nascimento do Mestre, renascíamos para um Novo Tempo.
Nosso filho, Rayran, foi sepultado no dia 6 de Janeiro. Não participei de nenhuma cerimônia. Estava em coma!
Como uma catarse, escrevi e publiquei o meu livro Pérolas no Asfalto, onde relato a minha história desde quando conheci Jarinho até os primeiros passos da minha superação.

O que tenho conquistado de maior relevância, após todo o “holocausto” o qual vivi, foi a eclosão de muitas habilidades, até então desconhecidas, e que, de certa forma serviram como “molas propulsoras” que despertaram em mim a vontade de reverter as lembranças daquele dia fatídico, em “dias gloriosos”, realizando palestras que alentam corações despedaçados pela dor da perda, trabalhando com alunos que têm dificuldades em aprendizagem, a capacidade de voltar a dirigir, sem traumas, fobias, ou algo do gênero, encarar minhas limitações físicas… Enfim, resumindo, a minha maior conquista, até então `é continuar a viver e ser feliz, apesar de tudo!”

Para comprar o livro: @vania.borgescarvalho

1 comentários

  1. Rejane OLIVOTOv

    Mulher guerreira da onde tira tanta força ,sei Que a dor não se mede, devolvi minha filha mais velha
    7meses após ser mãe depois de 15 anos de casados fez 4 anos em novembro porém para mim parece que foi ontem, não há um só dia que não penso nela porém nem sonhar até hoje não sonhei, ela era linda feliz cheia de sonhos veio a doença após 10 dias da maternidade.
    Tenho depressão medo é usuária de muita . medicação, comodidades.

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