Pai, a saudade é sem fim…

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Um pai, uma filha. Um pai,  enfermeiro, lutando por vidas. A pandemia, o COVID, o adeus. A imprevisibilidade da vida, nunca sabemos, “mal eu sabia que aquele dia seria o último dia que eu o veria entre nós, mal eu sabia que aquele dia eu falaria com meu pai pela última vez”. Taissa fala dessa despedida, rápida e cheia de dor, mas fala,   principalmente de amor, saudade e gratidão.

papoooo “Mal eu sabia que aquele dia seria o último dia que eu o veria entre nós, mal eu sabia que aquele dia eu falaria com meu pai pela última vez”

Meu pai, Paulo Cesar Moreira, super saudável, recentemente aposentado da área da saúde. Dedicou sua vida toda na área da enfermagem, cuidando e salvando várias vidas, sabia viver e conviver com a finitude e entendia que o dia a dia precisava ser intenso e amoroso sempre.

Mas tudo mudou no dia 24/05/2021, a partir de 15:44. Saímos de casa, eu e meu irmão, para levarmos meu pai a uma consulta médica, pois ele reclamava de muita dor de garganta e dificuldade para respirar, na nossa cabeça pensamos “vai tomar um medicamento mais forte no hospital, e vai ficar tudo bem”. Foi isso que meu pai e nós imaginamos, mas não foi assim que ocorreu.

Mal eu sabia que aquele dia seria o último dia que eu o veria entre nós, mal eu sabia que aquele dia eu falaria com meu pai pela última vez, que seria o último dia que parávamos para abastecer o carro.

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“Ao chegarmos fomos surpreendidos logo no início da triagem, a saturação estava muito baixa e ele estava praticamente morto com aquela saturação.” 

A pandemia de COVID estava em alta nessa época, todos os hospitais lotados, então, optamos em ir em um hospital particular. Ao chegarmos fomos surpreendidos logo no início da triagem, a saturação estava muito baixa e ele estava praticamente morto com aquela saturação. A enfermeira informou que nem sabia como ele estava em pé e vivo com aquela saturação.

Começaram, então, os procedimentos para aumentar a saturação e respiração. Ele ficou cerca de cinco horas na oxigenação. Fomos informados pela equipe médica que, caso precisasse de uma UTI, estavam todas as unidades de terapia intensiva lotadas. Rezamos para que não precisasse de jeito nenhum.

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“Tudo aconteceu tão de repente, tão rápido, eu só queria voltar com meu pai para casa e começar a nossa vida normal como sempre foi.”

Passaram as horas, fomos informados que haviam tirado a oxigenação, mas meu pai não conseguia respirar sem as máquinas. Passaram as horas, meu pai teve uma parada cardíaca, mas foi reanimado, logo em seguida tivemos a notícia que seria necessária uma UTI.

Meu Deus, esse dia passou tão rápido, levamos um ‘baque”. Tudo aconteceu tão de repente, tão rápido, eu só queria voltar com meu pai para casa e começar a nossa vida normal como sempre foi. “MEU PAI SALVOU TANTAS VIDAS, SERÁ QUE AGORA, NA HORA QUE ELE MAIS PRECISAVA NÃO TERIA ESSA OPORTUNIDADE”. Deus não deixou meu pai em nenhum momento, havia uma última vaga na UTI.

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“Eu só tenho a agradecer, a Deus e a vida, por ter tido a oportunidade de ter vivido e aprendido tanto com meu pai.”

Foram cerca de doze dias de luta, recebendo todo o tratamento com uma equipe médica maravilhosa, cuidando, medicando. Recebíamos ligações diariamente para informar como estava o estado de saúde dele durante o dia. Mas, infelizmente meu pai não resistiu a todo esse tempo entubado. Foi curado da infecção pulmonar, porém, o organismo começou a rejeitar os equipamentos e surgiram outras infecções e, infelizmente, ele não resistiu.

Eu acredito que nada é por acaso. O fato de meu pai ter aguentando tanto foi um sinal, como se ele esperasse a ida ao hospital para ser cuidado e atendido, como ele sempre fez com seus pacientes. Se ele não fosse ao hospital naquele dia e “naquela hora”, ele morreria em casa, dormindo, sem nenhuma oportunidade de atendimento.

Os médicos, aquela última vaga de UTI, esperando por ele… eu só tenho a agradecer, a Deus e a vida, por ter tido a oportunidade de ter vivido e aprendido tanto com meu pai. Foi um privilégio ter vivido cada momento ao lado dele.

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“Para nós, que aqui ficamos, a vida continua, mas jamais vai ser a mesma sem você. O luto e a saudade são eternos.”

Eu não sabia que ao deixá-lo na recepção para ser atendido seria o último dia dele com a gente. Eu tinha tanta confiança na sua recuperação. Eu peço perdão para meu pai por não ter dado o último abraço e beijo bem forte.

A saudade aperta demais, LEMBRAR É VIVER DE NOVO. Chegar em casa e olhar o sofá onde ele sempre ficava dói, dói muito, mas sei que o FIO NÃO FOI CORTADO PORQUE, SE FOSSE, ELE ESTARIA FORA DO MEU PENSAMENTO AO ESTAR FORA DA MINHA VISTA. Não foi um adeus, mas, sim, um até breve.

A saudade é sem fim. Eu TE AMO pai, espero te reencontrar um dia. Para nós, que aqui ficamos, a vida continua, mas jamais será a mesma sem você. O luto e a saudade são eternos.

(Autoria: Taissa Moreira)

@ataissajulie

@lacoselutos_

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