“Pai, sinto sua falta todos os dias…”

211

Ana e seu amor pelo pai, Nilberto, do diagnóstico até a sua despedida uma mistura de amor, medo e tudo o que podemos sentir quando o tempo não nos dá tempo.  A perda de apetite, as dores, a depressão. A serenidade de um pai pedindo calma para a filha, o cuidado num momento tão difícil. O amor é tanto que, mesmo com toda dor, Ana fica ao seu lado e faz a passagem, na gratidão a honra de ter vindo desse pai que fica, para sempre.

448637486_10161130649619185_2087991015137606087_n

“Foi tudo muito rápido, ele começou a ficar muito debilitado, perdeu o apetite, ficou depressivo e sentia muitas dores no local do tumor…” 

Meu pai, Nilberto, faleceu em 07/02/22, aos 68 anos, em decorrência de um câncer, osteossarcoma com metástase pulmonar.

Descobrimos o câncer de meu pai em 11/ 2021, foi tudo muito rápido, ele começou a ficar muito debilitado, perdeu o apetite, ficou depressivo e sentia muitas dores no local do tumor. Foi realizada a biópsia e constatado o que o médico já tinha certeza, era câncer.

foto-5

“Senti como se, diante de mim, abrisse um buraco, um baque em nossas vidas. Meu pai, sereno, pediu que eu ficasse calma…”

Após o diagnóstico veio a notícia que jamais imaginaríamos, amputar o braço. Senti como se, diante de mim, abrisse um buraco, chorei na sala do médico, um baque em nossas vidas. Meu pai, sereno, pediu que eu ficasse calma…

Buscamos uma segunda opinião, onde fomos informados que talvez não precisasse amputar. Realizamos novos exames, tendo sido verificada metástase pulmonar.

foto-2

“No hospital, teve o diagnóstico de Covid, não poderíamos mais ficar ao lado dele, veio a angústia de deixá-lo sozinho num momento tão difícil.”

Foram dias de angústia até conseguirmos uma vaga em outro hospital, pelo SUS. Meu pai foi internado no dia 12/01/22, ficamos com ele até o dia 16/01.

No hospital, teve o diagnóstico de Covid, não poderíamos mais ficar ao lado dele, veio a angústia de deixá-lo sozinho num momento tão difícil, logo em seguida foi entubado, muita angústia, fomos informados que talvez ele não sobrevivesse, havia surgido um sangramento no pulmão, devido à metástase, porém, ele era um guerreiro, as taxas foram melhorando e ele saiu da intubação.

448493530_10161130649584185_1091440715162965268_n

“Meu coração ficou despedaçado ao vê-lo, pedia água e eu não podia dar, bolsa de sangue, cateter… saí do hospital aos prantos.”

Solicitaram nossa presença no hospital para falar sobre o prognóstico e, alguns dias depois, meu pai foi submetido a uma cirurgia, às pressas, em função de uma complicação do intestino no canal da hérnia, novamente intubação, mais bolsas de sangue recebidas e notícias mais difíceis.

Diante de todo esse quadro, fui até a Assistente Social, implorei para que me deixassem vê-lo na UTI, tendo sido autorizada. Meu coração ficou despedaçado ao vê-lo, pedia água e eu não podia dar, bolsa de sangue, cateter… saí do hospital aos prantos.

448539310_10161130649754185_2420057162264769771_n

“Estava com as pernas e braços gelados, em minutos vi meu pai falecer, foi parando de respirar, até que deu seu último suspiro.”

No dia seguinte ele foi liberado para o quarto, pude ficar com ele, já sabendo que seria uma despedida, permaneci ao seu lado o sábado todo, ouvimos música, dei gelatina, abracei, conversamos, disse o quanto o amava. Minha mãe ficou com ele no domingo.

Na segunda fui ao hospital, ele havia piorado, estava com medo, conversei, disse novamente que o amava muito. Estava com as pernas e braços gelados, em minutos vi meu pai falecer, foi parando de respirar, até que deu seu último suspiro, nesse momento Deus o levou pra o descanso…

foto-3

“Sempre fomos muito unidos, fiquei contigo até o fim e creio que o ajudei em sua “passagem” para outra vida. Gratidão por ter me dado a honra de ser sua filha.”

Pai, sinto sua falta todos os dias, o senhor era o meu melhor amigo. Te sinto muito vivo dentro de mim, sempre, meu coração e minha mente me trazem nossos momentos bons misturados com seus últimos momentos.

Sempre fomos muito unidos, fiquei contigo até o fim e creio que o ajudei em sua “passagem” para outra vida. Gratidão por ter me dado a honra de ser sua filha, vou te amar pra sempre!

(Autoria: Ana Carol de Sá)

@_ana.caroldesa

@lacoselutos_

Sem comentários

Deixe um comentário