Filha, sou eternamente grata por esse amor…

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Gislaine, Sophia e a travessia do amor e da dor, mas, também, de garra, serenidade e fé, “não escolhemos ficar doentes, mas podemos escolher como queremos passar pela doença.” A mãe que segura as mãos da filha até o último momento. No luto, tanta dor e amor misturados, que o coração se ausenta do peito e fica com a filha, “um “buraco” em que o ar passa, mas eu não respiro”. A esperança é o único lugar possível para suportar tanta saudade. Esperança no reencontro, até sempre…

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“Minha filha foi uma jovem extremamente forte e determinada, que enfrentou com muita coragem todas as fases do tratamento.”

“Sou Gislaine, mãe da Sophia. Minha filha foi morar no céu em 03/11/2021, aos 18 anos, nove dias antes do seu aniversário de dezenove anos, que seria em 12/11. Sophia faleceu por insuficiência respiratória, devido a metástase pulmonar, proveniente de um osteossarcoma, diagnosticado aos quinze anos.

Minha filha foi uma jovem extremamente forte e determinada, que enfrentou com muita coragem todas as fases do tratamento, sem nunca se entregar. No hospital onde foi tratada, Gacc em São José dos Campos, o médico diretor, Dr. Marcelo Milone, certa vez (já na fase terminal) falou com muita relevância: “Sophia verdadeiramente venceu o câncer, porque sim, ela teve câncer, mas o câncer nunca teve a Sophia.”

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“Tinha uma fé muito piedosa e, amparada por seus amigos do céu.”

Todos, no hospital, eram surpreendidos pela maneira como ela enfrentava, com muita garra, tudo que estava vivenciando, o câncer não a teve mesmo, porque ela não se entregou, não deixou de acreditar.

Tinha uma fé muito piedosa e, amparada por seus amigos do céu, Carlo Acutis, Chiara Luce, vivia feliz, mesmo quando por dentro só queria chorar pelas dores e pelo cansaço. Como Chiara, ela quis o que Deus quis, foi obediente e resignada, sem jamais deixar de sorrir e ser gentil, doce e amorosa e se importar com as pessoas.

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“Incentivou pessoas a viverem com alegria mesmo diante de uma enfermidade tão grave, porque acreditava que a vida era muito mais do que estar doente.”

Sophia comoveu, uniu e apaixonou toda uma cidade, que por ela estiveram mais perto de Deus pela oração de súplica pela sua recuperação ou pela caridade fraterna e concreta. Incentivou pessoas a viverem com alegria mesmo diante de uma enfermidade tão grave, porque acreditava que a vida era muito mais do que estar doente.

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“A frase favorita de minha filha era: “não escolhemos ficar doentes, mas podemos escolher como queremos passar pela doença.” “

A frase favorita de minha filha era: “não escolhemos ficar doentes, mas podemos escolher como queremos passar pela doença.” Ela escolheu fazer sempre o melhor que pôde, tudo que era paralelo à sua doença fez com dedicação e disciplina, inclusive a faculdade de Pedagogia que ela tanto amava, e que lhe daria condição de trabalhar com a educação inclusiva, sua outra paixão.

Como reconhecimento de sua bravura, ganhou seu nome em uma escola da nossa cidade, pelo legado que, mesmo em tão pouco tempo, deixou na memória e no coração das pessoas. Também recebeu seu diploma significativo de licenciatura, como homenagem póstuma, de suas colegas, professores e da universidade.

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“Não sinto tristeza, mas dor, um sofrimento que, por vezes, é como se eu não tivesse mais meu coração no peito, apenas um “buraco” em que o ar passa, mas eu não respiro.”

Sua partida foi tranquila e serena, era assim que ela vivia. Passamos o dia só nós duas, como sempre fazíamos, depois das 15h00, ela “dormiu” cada vez mais profundamente (pela administração da morfina), eu ficava segurando sua mão como ela gostava.

A noite foi chegando e logo mais também chegou o papai, a prima favorita e a nossa amiga Fátima. Quando ela “parou” meu marido não estava no quarto, nem a prima, só nós duas e a Fátima, como tinha sido lá no começo de tudo, e mesmo vivendo a dor mais dilacerante da minha vida, enfrentei com a mesma coragem aprendida da minha Sophia. Não sinto tristeza, mas dor, um sofrimento que, por vezes, é como se eu não tivesse mais meu coração no peito, apenas um “buraco” em que o ar passa, mas eu não respiro.

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“Não sinto desespero, só saudade, muita saudade! O desespero é o contrário da esperança, e eu vivo de esperança, da espera em Deus pelo reencontro.”

Não sinto desespero, só saudade, muita saudade! Penso que o desespero é o contrário da esperança, e eu vivo de esperança, da espera em Deus pelo reencontro com a minha amada Pin! (Pin = “pincesinha”, como a chamávamos quando era criança; cresceu e ficou a nossa “Pin”)

Por ela, vivo com alegria, a verdadeira alegria que vem de Deus, paz e serenidade. Sei que a Sophia está no céu e fala de mim, do papai e todos a quem amava para Deus. Sou e serei eternamente grata a Deus por me permitir experimentar esse grande amor, por me permitir ser mãe da Sophia, e por me dar Nossa Senhora por mãe, que em todo tempo me amparou e que me alcança as graças que preciso.

(Autoria: Gislaine Rosa)

@gisrosa1612
@lacoselutos_

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