Pedro se foi…

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Pedro se foi, esperavam por ele pai, mãe, esposa, três filhos e amigos, muitos amigos. O amor espreitava pelos corredores do hospital, desacreditava que despedidas precoces estivessem nesse caminho, afinal, pais não se deveriam se despedir de filhos, crianças não deveriam ter as mãos seguras de um pai espalhadas pelos céus da eternidade. O amor se declarava, nas esperas, na possibilidade do retorno, no reencontro com a própria vida. Ele não voltou, se foi, sem escolha, injustamente. Luciano, o pai, perdeu seu menino, seu coração ficou inundado de dor. Pedro se foi e “não viu sua grande capacidade de aglutinação em torno do amor, sua grande obra final. E que neste momento, até nos provoca um meio sorriso, ao imaginar o quanto querer bem esse menino espalhou ao redor de si.”
“Pedro se foi…Pedro se ainda me escutas… De qual maneira me escutas… Já não me escutas… Escutas? …esse teu sorriso que não me abandona”

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“Pedro se foi,
Mas, por onde passou, esse meu menino deixou marcas. Marcas profundas, como sulcos que o ferro crava nas pedras. Apaixonado pelo Fluminense, iniciou aí sua vida de atleta. Sempre foi um desportista apaixonado e sempre lutou apaixonadamente em todas disputas esportivas em que se envolveu. Tinha garra. E assim foi levando a vida.
Belo, mas na medida exata de não se perder no mito de narciso diante do espelho, seduzia com classe. Negociava seu desejo num jogo dialético em que também respeitava o desejo do outro. Inteligente, na medida em que ambos os desejantes saiam lucrando. Grande, não no físico, mas na sua compreensão dessa difícil arte de viver. Sempre privilegiou o prazer, mas consciente do trabalho necessário para produzir seu próprio prazer. Nunca foi dado ao princípio da acumulação, pois só uma coisa gostava de acumular: amigos de todas as raças e de todos os credos e de todos os estratos sociais. Era generoso com todos, festeiro, alegre. Tinha sempre algo a comemorar.
Família, sim um sujeito de família. Com Roberta fez uma grande dobradinha: três lindos torcedores do Fluminense. Parceiro, era tanto médico, quanto pai, quanto namorado, quanto amante. Paizão, filhão, irmãozão………
Médico, sim um grande médico. Formação acadêmica altamente qualificada. Ético no seu exercício profissional sempre respeitou e estendeu seu cuidados aos outros mais necessitados. Não por misericórdia ou por dever religioso, mas por princípio: respeito a alteridade. Não era religioso, era amoroso.
Pedro se foi,
E não viu Roberta, pronta e bela, radiante diante da expectativa do reencontro. Também não nos viu, familiares desejantes desse reencontro. Não viu essa equipe médica tão devotada e eficiente que lutou dia e noite pela sua volta. Não viu essa massa do bem, de amigos conhecidos e desconhecidos, lutando em várias línguas e em várias crenças: essa grande massa humana do amor. Não viu sua grande capacidade de aglutinação em torno do amor, sua grande obra final. E que neste momento, até nos provoca um meio sorriso, ao imaginar o quanto querer bem esse menino espalhou ao redor de si.
Pedro se foi,
Mas desejamos que sua marca prevaleça na “#ForçaPedro” e que sua morte possa simbolizar a promessa de dias melhores. Dias que somente virão com nosso desejo e nossa ação de transformação.
#ForçaPedro – Justiça:
Como já estamos vendo, a câmara dos deputados aprovou um projeto que endurece pena para quem bebe e mata ao volante. Mas no nosso caso, antes dessa lei, estamos defendendo na justiça o direito de sermos amparados por uma interpretação da lei que reconheça a qualidade de dolo eventual. Ou seja, de que aquele que bebe e assume a direção de um veículo, está assumindo as consequências deste ato.
#ForçaPedro – Esporte:
Esporte e direção saudável formariam o binômio ideal. Leis e vigilâncias assumindo a prioridade da defesa da vida: com uma Lei Seca funcionando regularmente em Palmas (hoje é quase inexistente). Esporte/saúde com a criação de espaços adequados.
#ForçaPedro – Doação:
Tínhamos como ideia a doação de órgãos, desejávamos que o coração do Nosso menino batesse no peito de outro atleta. Mas descobrimos que o estado do Tocantins ainda não havia estabelecido o protocolo necessário para efetivar a referida doação. Conseguimos colocar em ação um processo embrionário já com um protocolo desenhado, mas ainda não efetivado. Gostaríamos que este ato pudesse representar o ponto inicial da criação de um serviço efetivo de doação de órgãos.
Pedro se foi…
Pedro se ainda me escutas…
De qual maneira me escutas…
Já não me escutas…
Escutas?
…esse teu sorriso que não me abandona”
05/01/1977 —-16/12/2017
(Autoria: Luciano Caldas, pai de Pedro, carregador eterno de sorrisos do seu menino, para sempre seu menino…)

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