Filha, por você suporto a eternidade…

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Fabiana e o amor que permanece. Fabiana e sua pequena Letícia, não importam os dias, meses ou anos, o amor abriria espaço para viver tudo novamente. Assim é amor de mãe, reza, ajoelha, chora, entrega e espera pela eternidade, “Eu suporto mais, suporto a vida, e a eternidade por aquele olhar fitado em mim, por aquele sorriso banguela! Nos encontraremos um dia, espero! Obrigada, obrigada!!!”

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“Lembro-me de cada oração, com toda certeza botei mais meus joelhos no chão, nesse período, do que em toda minha vida. “

“Eu me casei em dezembro de 2010 e engravidei da Letícia após seis meses, sem planejar, ela simplesmente veio. Chegou em 05/04/11, num momento financeiramente conturbado, mas veio nos mostrando que nada era tão importante ou preocupante, tudo se tornou perfeito, ela nos trouxe plenitude. Nos fez gratos e felizes.

O diagnóstico de cardiopatia veio aos cinco meses de vida. Foi uma corrida contra o tempo, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, ela teve acesso a tudo o que a medicina poderia oferecer. Aos seis meses de vida, foi operada.

Lembro-me de cada oração, com toda certeza botei mais meus joelhos no chão, nesse período, do que em toda minha vida. Eu orava, implorava, suplicava e guardava a fé, que esteve comigo até o último suspiro dela. A cirurgia foi longa e complicada, mas ela resistiu, resistiu também mais onze dias, acho que esse foi o período que Deus permitiu para que eu me preparasse. Eu não quis enxergar, preferia acreditar num milagre, e minha nossa, como tinha fé.

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“Lembro das palavras da médica dizendo: “ela está cansada, mas está lutando”, partiu meu coração, e então preferi sofrer em seu lugar, dando a ela a bênção para partir.”

No décimo dia ela se despediu do papai, entubada, mas consciente, com os bracinhos amarrados para não puxar o tubo. Chamou por ele, ele abaixou e ela acariciou seu rosto, os olhinhos dela e os dele cheio de lágrimas, foi um momento lindo. De mim não quis se despedir. Um médium mais tarde me explicou que ela não pôde, talvez porque eu perceberia e tentaria impedir sua passagem.

No dia seguinte à intercorrência, ela voltou para o centro cirúrgico, depois de seu coração parar por uma hora, e nessa uma hora meus joelhos cravados no chão, implorando para que ela não fosse. Ela voltou fraquinha e foi estabilizada artificialmente, lembro das palavras da médica dizendo: “ela está cansada, mas está lutando”, partiu meu coração, e então preferi sofrer em seu lugar, dando a ela a bênção para partir: ajoelhei e a devolvi a Deus, segundos depois. No dia 15/10/2011, às 7h33, ela voou.

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“Sobre a Letícia, não deixo sua memória se apagar, aqui em casa é comum falarmos nela, incluirmos ela em tudo.”

Minha sobrevida sem ela daria um livro, a propósito tentei escrever um, e até escrevi, mas não consegui finalizar, do mesmo modo como não consigo me despedir. Atravessei todas as fases do luto e vivi cada uma delas com toda a intensidade, mas mantenho-me aprisionada a última fase, a da aceitação.

Ela foi para céu aos seis meses de vida, hoje teria 11 anos, me pego constantemente imaginando como seria ela aqui. Tive duas filhas antes dela, eram crianças quando tudo aconteceu, sofreram tanto a partida da irmã, sofreram ainda mais ao me verem agonizar, por elas lutei incansavelmente para sobreviver, e depois dela, mais uma, gosto de chamá-las de meu quarteto.

Agradeço incessantemente por cada uma delas, e peço para que tenham saúde, vida longa e possam me enterrar um dia. São todas incomparavelmente iguais e amadas por mim. Sobre a Letícia, não deixo sua memória se apagar, aqui em casa é comum falarmos nela, incluirmos ela em tudo.

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“Eu suporto mais, suporto a vida, e a eternidade por aquele olhar fitado em mim, por aquele sorriso banguela! Nos encontraremos um dia, espero!”

Lembrei-me nos primeiros dias, em que chorava no chuveiro escondida das filhas, tentava sufocar o barulho e gemia, uivava feito bicho. Hoje esses rompantes são esporádicos e controláveis, mas não finitos. Letícia, assim como todas as filhas, me trouxe vida, alegria, amor em sua mais verdadeira essência! Sou grata por ela, e passaria por tudo o que passei e ainda passo, por aqueles 5 meses, 29 dias e 15 horas em que a tive em meus braços!

Obrigada por ter me escolhido, filha! Eu suporto mais, suporto a vida e a eternidade por aquele olhar fitado em mim, por aquele sorriso banguela! Nos encontraremos um dia, espero! Obrigada, obrigada!!!”

(Autoria: Fabiana Gomes, mãe eterna da Letícia)

@fabi.contapessoal

@lacoselutos_

2 Comentários

  1. MARIA APARECIDA DOS Santos Eiras

    Meu filho partiu a 7 anos , tinha diabetes mellitus, sempre meio abusado , mas se cuidava bem, ficou com a doença aos 14 anos, quando o médico me falou chorei muito mas passou , fomos a luta. Um dia ele chegou passando muito mal , levei ao UPA e vomitava muito, mas acabou melhorando, chegamos em casa e piorou, voltamos novamente, aí passou a noite inteira internardo e entrou em coma, ficou na UTI 2 meses, acordou mas estava só pele, mas foi melhorando e foi para o quarto, sempre eu junto, pois o hospital sempre autorizou ficar junto a ele, quando já tinha passado 3 meses com melhoras e recaídas, ele ia ter alta numa segunda feira, eu estava tão cansada que estava em casa. Dormi em casa para pegar força , pois ele ia voltar e precisava ficar forte para aguentar ao tratamento dele sozinha, mas na segunda de manhã ele teve um intercorrência e me chamaram, estava indo e me ligaram novamente que ele tinha tido outra intercorrência, quando cheguei aos hospital era 14.35 hs, ele tinha partido a 14.30, me esperou, mas não aguentou, sofro todos os dias, agora melhorei, mas uma parte de mim foi junto, fiquei de mal de Deus por muito tempo, tomava muitos remédios, agora só tomo 2 e sou super católica e entendi que tinha chegado a hora dele…..

    • Maria, sinto muito por seu filho, que você encontre muito conforto para essa saudade imensa, gratidão por partilhar conosco essa travessia tão sagrada!

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