“Filha, te amo assim, destamanho…”

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(Autoria: Raquel, mãe da Marina)
Como entregar um filho? Essa ordem invertida que pede uma força que nasce dos lugares mais profundos e sagrados do amor misturado com dor? A Raquel buscou forças, na notícia que chegou através dos médicos, nos cabelos sendo raspados e na compra da peruca, no olhar da filha que procurava segurança… os caminhos do amor, que buscam forças no universo e nesse amor indizível, que esquece a própria dor para acolher, tanto amor que precisava de outros sentidos, nasce a Pitouquinha, um projeto lindo para ajudar crianças com câncer. Marina deixa, pai, mãe, irmão, marido, amigos, uma família imensa, Raquel deixa o amor, que permanece na gratidão por todas as cenas que compõem essa história e que nunca poderão ser retiradas, fará parte do que foram, são e serão, Marina, será verbo presente, sempre, “Eu e Deus somos um”, o mantra que liga tudo o que a gente não vê ao que vemos…
“No meu aniversário de 2016, fui surpreendida por essa linda mensagem da Minha Filha Marina:

Ela sempre me apoiou em tudo o que quis fazer: Mãe, quero ser escoteira. – Legal, filha! Mãe, quero aprender violão. – Muito bem! Mãe, quero fazer faculdade de moda. Não, de veterinária. Não, de comunicação. – Se você se esforçar, vai se dar bem em qualquer área, filha. Mãe, quero estuda inglês e morar fora. –Vai, filha! E eu vim. E ela ficou. E não derrubou uma lágrima da primeira vez que a gente se despediu no aeroporto. Porque ela sabia que eu precisava dela ali, forte, me dando o último empurrão. Ela pode até ter chorado no segundo que eu desapareci no meio da multidão do embarque, mas na minha frente foi só sorrisos. “Vai dar tudo certo, Pi”. Às vezes eu sonho que estou segurando sua mão. Às vezes a sua falta dói muito e eu fico com pena de ficar tanto tempo longe de você. Mas eu sei que você é feliz com minhas escolhas e, apesar de ser a mãe mais grudinho do mundo, jamais cortaria minhas asas. Porque você é assim, generosa, mente aberta, companheira. Feliz aniversário, mãe! Te amo assim, destamanho.”

Mal sabia eu que, dois anos depois, eu passaria meu primeiro aniversário sem sua presença física aqui neste plano. E essa foi minha resposta:

“Sabe, filha, de todas as mensagens/cartas/bilhetes que você já me escreveu, sem dúvida alguma essa é a mais significativa! Talvez você já intuísse que, num momento não tão distante, eu precisaria ser muito, mas muito muito mais forte do que naquela nossa primeira despedida no aeroporto! “Ela precisa de mim, aqui, forte!” Esse foi meu mantra nos dois últimos meses que passamos juntas! E fui forte, filha! Fui forte quando cheguei no aeroporto e você, com aquele sorrisão e o abraço mais-gostoso-do-mundo, me disse: “Pronto! Sarei!”. Quando você, deitada no meu colo, perguntou se valia a pena iniciar o tratamento, já que o médico disse que “estava tudo espalhado”, fortemente respondi: “Espalhou? A gente junta tudo e manda embora!”. Fui forte quando fomos comprar sua peruca e o cabeleireiro, com incredulidade e compaixão, olhou nos seus olhos e disse: “Oh, my God! You are so beautiful!”. E quando você decidiu raspar o cabelo em casa mesmo? Lá estava eu a seu lado, segurando todas as emoções que envolveram aquela cena! Durante os 14 dias que ficamos no hospital, diante de cada notícia ruim que os médicos nos davam, era o meu olhar que você procurava, e eu, mesmo com o coração completamente destroçado, só conseguia pensar que precisava ser forte pra você! “Vai dar tudo certo, Pi!” Por fim, consegui ser forte para cumprir, juntamente com seu pai, a missão mais difícil e devastadora das nossas vidas, que foi devolver você para Deus, após maravilhosos e inesquecíveis 30 anos e 28 dias de uma convivência ímpar! E se eu desabei no segundo após você desaparecer na multidão do embarque, imagine como fiquei com sua partida para o outro plano! Hoje é meu primeiro aniversário sem a sua presença física! Apesar da dor imensa que teima em tomar conta do meu coração, não posso deixar de agradecer a Deus a honra de ter sido escolhida para ser mãe de dois seres tão especiais, que me ensinam e me inspiram todos os dias! É por vocês que continuo me levantando, reunindo os caquinhos de força que me sobraram. Por vocês estou tentando ser uma pessoa melhor! Que Deus continue me fazendo merecedora desse imenso AMOR sempre tão presente na nossa família!”
Aos poucos, fui me fortalecendo e, dois anos e nove meses após sua partida, criamos o Projeto Pitouquinha, que faz touquinhas temáticas para aquecer as cabecinhas e corações das crianças em tratamento oncológico.
O projeto é um sucesso, porque colocamos todo esse amor que transborda de nossos corações em cada ponto crochetado! Gratidão, Filha, por ter me mostrado um caminho de luz, que não me deixa sucumbir! Te amo, assim destamanho!

Como ajudar Pitouquinhas: Venha fazer parte desse projeto de amor! Você pode nos doar materiais, como lã Molet e linha Barroco nº6

Contato pelo Instagram:

@saadkel

@pitouquinha

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