“Mantenho minha filha viva entre nós”

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Dani, mãe de Gabi, a menina doce, que amava estar com as amigas e com a família, amava as comidas da mãe, as gordices.  Dani, que lidou com a despedida da filha junto com a chegada de outro filho. A água, o acidente, o desespero, a notícia. Os dias que seguem e a promessa para a filha de continuidade, pelos que ficaram e, por ela, seu anjo beija-flor, afinal, “o corpo físico da minha filha não está mais entre nós, mas sua energia estará para sempre.” Para uma mãe não haverá despedidas, um filho sempre estará. No patins, paixão de Gabi, uma das possibilidades dessa continuidade, levando a alegria da filha para tantos outros.

Autoria (Danielle Dias)

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“A Gabrielle era uma menina doce, muito educada, amava estar com as amigas e com a família.”

A Gabrielle era uma menina doce, muito educada, amava estar com as amigas e com a família. Ela elogiava todas as minhas comidas, me ajudava a me maquiar. Era um pouco desengonçada para dançar, mas isso puxou a mãe (rsrsrs). Amava andar de patins. Era a conselheira das amigas, Toda vez que meu esposo viajava, nós aproveitamos para fazer nossas gordices e as comidas preferidas dela.
Vivemos duas perdas em sequência. No dia 23/01/2017 recebi uma ligação, minha cunhada havia perdido seu bebê na gestação. O mundo desabou, pois, meu sonho é ser tia. Passei dias com um aperto no coração.
Dia 02/02/2017, final de férias, filhos e enteado em casa, resolvemos fazer uma viagem para o interior (natureza). Aproveitaríamos para convidar os padrinhos de batismo da minha bebê, eu estava grávida de 7 para 8 meses e, também, para relaxar. Minha filha Gabrielle, de treze anos, preparou junto comigo as surpresas para os padrinhos, ela filmaria a reação deles. Todos no carro, houve uma pequena confusão com os lugares, mas tudo resolvido.

dani-1Minutos depois veio um rapaz me dar a pior notícia que uma mãe possa receber, “Mãe, infelizmente sua filha não resistiu e entrou em óbito”

Fomos conversando durante umas duas horas e, logo, minha Gabi dormiu, a única que dormiu. Mais trinta minutos e tudo aconteceu. O carro aquaplanou, perdemos o controle, batemos em um barranco e, simplesmente, voamos para cima do barranco. Começamos a capotar e, nesse momento, parece que senti algo, porque eu só gritava pelo nome da Gabi.
O carro parou com as rodas para cima e eu, desesperada, procurava pela Gabi. Meu esposo saiu do carro e a encontrou deitada no lado de fora, sem vida, mas me disse que estava tudo bem.
Saí correndo por socorro, logo chegou a ambulância e me colocou para dentro. Minutos depois veio um rapaz me dar a pior notícia que uma mãe possa receber, “Mãe, infelizmente sua filha não resistiu e entrou em óbito”. Nesse momento perdi as forças e parecia que o tempo havia parado. Não consigo expressar em palavras os próximos passos…
Chegou o momento do sepultamento e, naquele momento, uma força dentro de mim falou para ela que eu nunca desistiria da vida, que eu seria forte e continuaria minha missão, por mim, pelos que ficaram e, principalmente, por ela.

dani-4“Mantenho minha filha viva entre nós, sempre falando dela com muita alegria e amor, que foi essa a missão dela aqui na terra, transmitir amor e alegria até aos corações mais duros.”

Assim sigo meus dias, me permitindo e respeitando meus sentimentos, mas sempre com a certeza que estou viva e que meus filhos merecem ter a mãe que a Gabrielle teve. Continuar vivendo nunca diminuirá o amor que tenho por ela. Os dias são difíceis, às vezes, pesados, mas sempre com a fé e esperança em nosso reencontro.
Mantenho minha filha viva entre nós, sempre falando dela com muita alegria e amor, que foi essa a missão dela aqui na terra, transmitir amor e alegria até aos corações mais duros.
No início do meu luto tinha a sensação de não acreditar. Lembro que no momento em que cheguei do velório, pensei, como vou continuar? A cada amanhecer eu lembrava de como ela gostaria que eu passasse aquele dia e assim eu fazia, sempre me permitindo chorar e ficar no meu canto quando eu queria.
No início não conseguia ver fotos recentes dela, somente as de quando ela era bebê, até hoje tenho um pouco de dificuldade em ficar olhando. Sempre gostei muito de falar dela, da menina incrível que foi aqui na terra e prometi para ela que tentaria não ficar triste, porque ela sempre foi alegria, dessa forma tentaria amenizar minha dor.
Precisei ocupar minha cabeça. O que mais me ajudou, foi quando conheci a patinação, posteriormente fundei um grupo de patinação totalmente gratuito, mantido até hoje, levando alegria para muitas pessoas. De uma certa forma, ser voluntária, me aproxima muito da minha princesa!
O corpo físico da minha filha não está mais entre nós, mas sua energia estará para sempre.
Nosso anjo beija-flor, é assim que a chamamos.
Insta:
@danielle.andrei
@lacoselutos_

1 comentários

  1. Sua dor é minha dor amiga!!!
    #MãesDeAnjo
    Vc é uma guerreira, uma inspiração pra mim!!!
    Tem todo o meu respeito carinho e admiração!
    Bjos Gi

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